quarta-feira, 16 de maio de 2007

a coca-cola, a cocaína e os cocaleros

ENERGY DRINK




No ano passado, na Facultad de Ciencias Económicas de Buenos Aires, foi realizado o II Foro Internacional de la Hoja de Coca, com a participação de cientistas, empresários, técnicos, indígenas, políticos e membros da sociedade civil organizada da Argentina, Peru, Equador, Colômbia e Bolívia. Ali, discutiu-se que a ONU retire a folha de coca da categoria de veneno e estupefaciente. Discutiu-se também sobre a importância da luta em defesa deste patrimônio cultural dos povos indígenas. De uso milenar, a folha de coca tem seu uso medicinal e imprecações familiares, sociais, econômica e espirituais que não podem ser negligenciados por conta do fracassado WAR ON DRUGS implementado pelos estadunidenses.

Levantamentos históricos e arqueológicos mostram que o uso da folha de coca está diretamente ligado `as cosmovisões e crenças dos povos andinos. Hoje, discute-se a sua industrialização e a exploração comercial de produtos derivados da folha, a coca tem “un montón de derivados”, todos associados `a saúde e bem-estar. A folha de coca não é droga. O Papa João Paulo II, quando visitou La Paz, ele e todos os passageiros do avião em que estava, se serviram da folha de coca para combater o soroche (mal da altitude).

No entanto, o governo estadunidense cria um falso alerta contra as drogas e a produção de cocaína como forma única e exclusiva de desarticular a guerrilha de esquerda existente na Colômbia. O propalado e fracassado PLAN COLOMBIA previa, entre outras “tonterías” o uso de elementos biológicos contra as plantações em Colômbia (com o uso de lagartos devoradores de folhas!). Mas se o plantio está difundido em quase todo o continente, por que ao invés de uma batalha localizada e inócua os Yankees não declaram uma guerra continental contra a droga? Por que o problemas deles não é a cocaína.

Os cocaleros, os agricultores indígenas e as populações que fazem uso medicinal da folha nada lucram com a produção de cocaína, pelo contrário. Eles gostariam muito que parassem de produzir cocaína para que pudessem plantar em paz e comercializar produtos “limpos” extraídos a partir da folha. Porém, se não interessa `as populações locais e aos campesinos a produção de cocaína, a quem interessa? Vejamos.

A folha de coca é verde, no entanto a cocaína é branca e em pó. Logo depende do grande uso de tóxicos como querosene, éter, acetona e ácido sulfúrico (que contamina os rios, os peixes e as populações rurais). Sabe-se que na Colômbia não há indústrias químicas. Pergunta: quem vende o fármaco para a produção da droga? Toneladas! Acertou quem disse as grandes multinacionais. A grana preta oriunda do comércio da cocaína (lembrem-se que se trata do terceiro maior negócio do planeta terra) não é tributada nos países de origem, porque é ilegal. Para onde então vai essa grana? Acertou quem disse que ela será lavada nos paraísos fiscais. E onde ficam os paraísos fiscais, as lavanderias offshores? Até onde eu sei eles pertencem `a Inglaterra, aos Esteites, `a Franca, `a Alemanha etc. Dá pra entender quem lucra com a venda de cocaína? É a narcocracia internacional.

Evo Morales, perguntou num fórum internacional que “se a Coca-cola pode usar a folha de coca por que os bolivianos não podem?” Ouviu-se um silêncio tumular, como diria Odorico Paraguaçu. Dizem que a Coca-Cola parou de usar folha de coca em sua fórmula desde 1929. Então porque os Estados Unidos importam toneladas de folhas de Coca por ano? Estariam os estadunidenses, com o beneplácito do governo, dando outro uso a estas folhas? Lembrem-se: um gato escondido com o rabo de fora está mais escondido que um rabo escondido com o gato de fora.

O fracassado plano contra a guerrilha, camuflado como plano contra as drogas em Colômbia, iria reduzir, segundo cálculos do governo Bush, a oferta de cocaína no mundo, aumentando o seu preço e afugentando compradores. No entanto, desde 2004 o número de hectares na região andina com plantio de Coca continua o mesmo, 200 mil hectares, aumentou a oferta de cocaína no mundo e o seu preço baixou. E mais, o uso da coca-cana, rasteira, está caindo. Agora entra em cena, oriunda do Perú, a cocatingomaria, que cresce na vertical, é mais resistente, dá mais folhas e permite um plantio e um colheita muito maior que outrora. Nos Esteites tem um energético chamado cocaine, tem uma lata igual a da coca-cola, vermelha e com escrita em branco, com uma fonte que lembra um giz escolar. Está em franca expansão de consumo.


Os Estados Unidos não conseguem fazer com que os seus jovens doentes parem de consumir freneticamente cocaína, não reduzem a sua entrada pelas fronteiras (os estadunidenses consomem a metade da cocaína produzida no mundo!) e nem proíbem a entrada de toneladas de dólares provenientes do tráfico internacional em seus paraísos fiscais; "é a economia, idiota!". Mas querem impedir o povo andino de comercializar produtos limpos. Querem jogar o bebê fora da bacia junto com a água suja!




Lelê Teles, Brasília

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